quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A MÚSICA E A POLÍTICA



Imagine-se vivendo a 50 anos atrás. Imagine ter seus direitos cerceados, sua liberdade resumida ao que lhe concederem e não ao que você escolher. Imagine-se vivendo num país onde as leis fossem determinadas por conveniência do poder, onde a liberdade de expressão estava limitada a sua imaginação e não ao meio em que você vivesse. Imagine-se numa ditadura!

Hoje em dia, com muita facilidade, conseguimos obter todas as informações que quisermos sobre política, economia, cultura e tudo mais, no Brasil e no Mundo. Os meios de comunicação são acessíveis, e você pode escolher entre tv, rádio, internet, jornais... você escolhe o meio que lhe convém e também tem a possibilidade de procurar as fontes de acordo com sua posição política, econômica e cultural.

Mas a 50 anos atrás, vivendo numa ditadura, as coisas eram muito mais difíceis. Tudo que era ligado a comunicação de massa deveria passar pelo filtro do estado. Você era refém do seu governo, e não tinha nem um terço das facilidades e do acesso as informações de hoje. E a vida não era nada boa. Repressão de todas as formas.

Como tentar fazer uma nação se rebelar contra essa opressão sem a possibilidade de atingir as pessoas pelos meios de comunicação direta? Alguém teve a resposta para essa pergunta: pela música!

A música foi uma grande aliada para expandir a consciência política das pessoas e para o apoio contra a ditadura. Pelas letras, os nossos poetas contornavam a censura, e exprimiam indiretamente a necessidade de dias melhores. Demostravam toda a dor do povo, as angústias e os sofrimentos e a necessidade de libertação e mudança. Não que vida do brasileiro tenha mudado da água pro vinho, mas pode perguntar a qualquer um, antes era bem pior. 

A música conseguia driblar as restrições da ditadura - atingia o público. Tudo bem que nem sempre era possível escapar dos cortes em determinadas canções, e muitos dos nossos poetas foram exilados (ou mortos) por tentarem dar uma "volta" no regime ditatorial. E no final dos anos 70 e durante os anos 80, com o enfraquecimento do regime, as letras de protesto ficaram mais explícitas, caíram nas graças da mídia. E durante quase 3 décadas, a música foi uma grande aliada na luta em prol da democracia. A juventude, tinha interesse político, até porque ficou na moda. 

Mudamos para melhor, conseguimos uma Constituição legítima. As coisas melhoraram, mas a consciência política está sumindo a cada dia. Principalmente a consciência política dos jovens. E no meio musical, política não é mais assunto. 

Hoje em dia, você pode ouvir diversos gêneros musicais, o acesso é fácil e a variedade é bem generosa. A mídia maior continua elegendo os ídolos, e vai ditando as preferências do momento. E ao que me parece, a intensão da música de hoje em dia é só de entreter. Isso é ótimo, maravilhoso. Mas se você parar pra pensar, seguir essa linha deixa a gente mais "estúpido". Isso porque não vivemos no país das maravilhas. A música é importante porque dita o ritmo (literalmente) das baladas, e o objetivo do jovem é basicamente "zoar". As gerações que protestavam com consciência se foram, as de hoje seguem uma modinha política. E o papel na música na politização já não existe mais. 

Bom, mas isso é uma coisa que temos que aceitar. Não sou possuidor de nenhum mídia de massa gigantesca, mas procuro fazer minha parte neste humilde blogzinho. kkkkk Mas seria legal se a música de protesto voltasse a fazer sucesso. Quem sabe não acordaríamos mais esta geração para nossos problemas? Quem sabe...   VEJA MAIS OPINIÕES - CPN




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