domingo, 11 de outubro de 2015

Esquerda ou direita ou burrice?

Estive hoje num diálogo com minha namorada, daqueles que sempre temos como casal que tem intimidade e um bom nível de conversa. Conversamos com energia, cada um defendendo uma posição. Costumo ser menos parcial, gosto de me manter ao centro das opiniões (mas não em cima do muro), ao passo que ela é um pouco mais radical. E o assunto, em questão, era uma publicação do meu primo que ela julgou radical também.

Bom, ela tem uma queda pela esquerda. Meu primo é de direita, conservador. Eu tendo pra direita, mas me autoavalio com centrista.

E o assunto: ditadura militar.

Vendo a abordagem de duas pessoas de visão completamente diferente (meu primo e minha namorada), sem querer discordar nem acordar plenamente com ambos, comecei a perceber a raiz da indiferença dos extremos: a parcialidade, a falta de complacência, a pouca interpretação do contexto. Talvez eu seja o louco da história, mas acho que as pessoas não costumam "tentar" enxergar entre a nuvem de fumaça.

Tínhamos então, meu primo publicando um video que tentava explicar que o regime militar não chegou a ser uma ditadura. Na realidade, o video dava a entender que os militares reagiram a um processo de "esquerdização" da América Central e América do Sul, comandados por Fidel Castro e Che Guevara, na tentativa de popularizar a revolução comunista (com o auxílio e investimento russo). Como era uma visão de um lado só, a tendência era de desumanizar ao máximo os feitos dos revolucionários comunistas, exaltando os feitos bizarros do terrorismo vermelho. E era, de fato, tudo verdade. Não havia mentiras na narrativa.

Minha namorada revoltou-se com o video e tratou de exaltar os excessos e bizarrices da ditadura militar. As mortes de inocentes, a tortura dos prisioneiros, a intimidação e a diminuição dos direitos e garantias fundamentais do homem comum que o regime militar impõe, como se vivessem naquela época em Estado de Guerra.

Sintetizando a grosso modo o ponto de vista dos dois, dá pra perceber claramente dois pontos comuns: ódio e intolerância.

O ódio fica exposto quando fala-se de atrocidades. A funcão da atrocidade é essa, afinal de contas. Corroer o inimigo com o ódio. Só que a raiva atrapalha o julgamento. E te estimula a uma atitude revanchista, a vingança. E é comum para ambos. Imagine você, estar lutando ao lado de uma pessoa e criar um vínculo de amizade. Imagine saber que essa pessoa foi capturada, e teve um ferro quente adentrado no cu. Ou então imagine seu parceiro sendo mutilado por uma bomba terrorista numa praça pública. Ainda não falei da razão da luta. Mas as consequências dela explicam sua razão de ser também.

Chegando a esse patamar, temos a intolerância sacramentando tudo. E talvez não esteja em nada ligada a falta de inteligência. Fica mais ligada ao orgulho. Imagine um traficante numa favela. Ele sabe que comete crime, sabe que é perseguido fora do morro. Sabe bem que não pode ter o luxo de viver como homens ricos e refinados, mesmo tendo bastante dinheiro. Então ele deposita seu orgulho na defesa do seu território e nunca vai admitir que é um filho da puta. Em contrapartida, imagine um PM que arrisca a vida subindo o morro debaixo de bala. Se ele tiver amor a farda, vai peitar o que vier, vai tentar acabar com aquela porra, pelo menos naquele momento. Vai pegar na arma, subir o morro, ganhando pouco, correndo risco de vida. Por sede de sangue e o mínimo de idealismo, vai fazer o possível pra chegar em casa vivo, e não vai padecer. E se morrer, vai ser com dignidade e orgulho (isso se for honesto). Então eu digo: dá pra imaginar uma trégua entre esses tipos: "no way!"

A chave das diferenças são as diferenças, e isso é redundante e é fato. hehe. E escrevi isso tudo para exemplificar pessoas que defendem ditadura militar ou ditadura do proletariado por birrinha de extremos. E olha que nenhum dos dois sentiu na pele os movimentos! Na verdade, os dois sistemas fedem, são regimes de dominação feudal. Em ambos, quem tá no poder é o seleto grupo dos "indicados divinos", que ditam o ritmo da vida dos comuns. Tnc!

No caso da ditadura militar, por mais que afirmem que houve benefícios, a parte ruim era uma tortura coletiva - não se priva o homem de se expressar. Mas quem tá no poder defende a posição como sabe. No caso dos militares é na força. E quem avançava contra o regime militar na época eram também militares treinados em guerrilha, sem ética nem moral, espalhando o terror e o medo para obter um objetivo que na verdade - sem medo de errar - era só o de trocar de lugar, porque os mecanismos de controle seriam exatamente os mesmos.

Na minha opinião, o fim da ditadura militar foi um processo quase que natural conduzido pelo mercado exterior. O mundo deixou de ser bipolar nos anos 90, não interessava mais a ninguém "brigar e deixar de vender", já que a globalização tornou o mundo inteiro "uma só feira", kkk.

Acredito que hoje em dia aqui no Brasil, sofremos um processo de regressão propositalmente estimulada por quem nos governa. O ódio de classes, resumido pelo ódio cada vez maior entre integrantes de direita e esquerda só faz maquiar as sacanagens que rolam nos limiares do poder. "Coxinhas", "esquerda caviar"... é nessa que a gente se fode. Buscamos diferenças quando deveríamos estar unidos. Este é o verdadeiro golpe. E ninguém enxerga através dessa cortina de fumaça. Ou será que eu é que sou doido?!

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